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Vanessa é natural da cidade de Patos, na Paraíba, curiosamente é fotógrafa e psicóloga e desempenha com muita paixão, cuidado e dedicação ambas as funções, mas confessa que nos últimos dois anos vêm buscando por mergulhos mais intensos na fotografia. Essa mulher ao lado, teve seus primeiros contatos com a fotografia ainda quando criança, por volta dos 10 anos de idade, quando seus pais compraram a primeira câmera analógica, uma Yashica, que hoje faz parte da sua coleção de câmeras. Foi nessa fase da vida que ela pôde acessar e se apaixonar pelo mundo da fotografia, pois, a cada segundo que sua família movimentava, os seus pais, colocavam o flash para funcionar.

Durante a adolescência e inicio da fase adulta, a fotografia passou a ter outros significados em sua vida. Nos primeiros anos da sua adolescência, Vanessa passou por um momento de esquivar-se das lentes, devido aos seus processos de não aceitação da sua imagem, do seu corpo e dos seus traços negros, recusando-se de estar em toda e qualquer fotografia de grupo ou individual.

Em meados de 2006 conheceu um amigo que, na época era iniciante no mundo da fotografia, despertando em Vanessa, um outro olhar, estimulando-a mesmo que indiretamente a se encarar e gostar da imagem captada nas lentes e esse momento foi crucial para o desabrochar dessa fotógrafa. Foi nesse momento que ela começou a usar a fotografia como um instrumento de reconstrução de si, do seu self, da sua autoestima e da sua aceitação enquanto mulher negra, processo esse, que navega entre diversos sentimentos e diversas descobertas, fazendo da fotografia um elemento no crucial no seu processo existencial.

Logo após esse momento de ressignificação de si e da fotografia, ela começou a sair nas ruas e a captar o universo urbano, e nos primeiros passos e cliques, inconsciente ou conscientemente, percebeu que eles dialogavam com um processo pessoal de perceber o mundo, as pessoas, as invisibilidades e a poesia urbana [por vezes caótica], bem como com as existências urbanas.

Vanessa começou a entender que, para além de seus autorretratos, as fotografias urbanas também estavam auxiliando nas suas reflexões sobre ser e estar no mundo levando-a a uma viagem entre em universos urbanos e rurais dentro e fora da Paraíba, fazendo-o captar os encontros de eu’s urbanos e eu’s individuais em cada passo dado e em cada fotografia captada.

“Antes de qualquer captura e qualquer equipamento de ponta, tem-se e deve-se existir a sensibilidade, o olhar sensível; havendo isto [tudo isto], teremos uma captura que irá causar afetações nas pessoas” afirma Vanessa, onde mesmo sem os melhores equipamentos da fotografia, utilizando-se assim de celulares, câmera compacta e quando tinha oportunidade de fotografar com “equipamentos melhores”, eram equipamentos emprestados, porém, nunca deixou que essa arte se esvaísse da sua vida.

O ano de 2016 também foi um momento importante nas suas certezas enquanto fotógrafa, neste ano a mesma teve o privilégio e a missão de estar no projeto de extensão enquanto cursava Psicologia, numa Comunidade Quilombola do sertão da Paraíba, lugar que tem muita relevância para a mesma, foi neste lugar que a mesma pôde ter para além de vivencias sociais, acadêmica, pessoais e ancestrais, também teve o privilégio de capturar a essência desse povo através das suas lentes, o que também gerou um bom acervo de fotografia documental.

Em janeiro de 2019 nasceu a sua primeira Exposição Fotográfica e Individual, intitulada “Daquilo que não se vê”, realizada pela Prefeitura Municipal de Patos, através da Fundação Cultural de Patos, reunindo desde as primeiras fotografias até as mais recentes, e o que vale lembrar é, nenhumas dessas fotografias foram captadas e pensadas em virar uma galeria, a exposição simplesmente aconteceu exatamente como é a essência do seu trabalho.

Em julho de 2019 foi selecionada na Exposição Fotográfica, João Pessoa - A cidade do Meu Afeto, uma realização da Prefeitura Municipal de João Pessoa e a Unesco, onde teve duas fotografias suas sendo expostas no Hotel Globo da Capital Paraibana, e agora em 2020 foi premiada no Concurso de Fotografia Imagens da Cultura Paraibana - 2ª Fase, e foi selecionada com uma fotografia no projeto Por dentro de um tempo suspenso do FotoRio, Festival de Fotografia de Tiradentes/Foto em Pauta, Fotofestival Solar e DOC Galeria.

Vanessa Oliveira confessa que é na fotografia urbana, documental e no fotojornalismo que ela vivência a sua melhor versão enquanto fotógrafa, a artista também afirma que são nesses lugares, que ela sente amor e prazer, proporcionado para si e para as pessoas que consomem a sua arte, uma comunicação entre muros, ruas, pessoas e espaços invisíveis, buscando dessa forma, encontros poéticos de eu's urbanos, individuais, existenciais, políticos, representativos e porque não dizer de afeto, afetações?

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